Individual

Antônio Martins Rodrigues

Área de Atuação

Patrimônio Imaterial

Funções

Descrição curta

Agricultor e mestre em abelhas indígenas (meliponicultor tradicional), natural de Guaramiranga - CE, onde reside e mantém o "Meliponário Cantinho do Céu".

Dados Pessoais

Endereço: Sítio Bananal, s/n , Zona Rural, 62766-000, Guaramiranga, CE

Estado: CE

Município:

CEP: 62766-000

Logradouro: Sítio Bananal

Número: s/n

Complemento:

Bairro: Zona Rural

Descrição

Antônio Martins Rodrigues: Mestre em Abelhas

A Serra de Baturité é deveras um capítulo à parte da história do Ceará. Esse “pequeno país verde” recebeu visitas de inúmeros cientistas e expedições que buscaram estudar sua formação geológica, anotar as potencialidades econômicas e coletar amostras das riquezas naturais. Da sua biodiversidade, muitos elementos correm risco de extinção e nos saltam à vista, como o periquito cara-suja, entre os pássaros, ou o enorme visgueiro, entre as árvores seculares.

Há, porém, seres minúsculos. Tão importantes quanto os demais, ou até mais. Como é o caso das abelhas, dentre os insetos, que têm corrido o risco de desaparecer. Enquanto agentes polinizadores, sua importância não está na produção do mel, como muitos pensam de forma utilitarista, mas na manutenção do equilíbrio natural e a consequente produção de alimentos. Uma frase atribuída ao físico Albert Einstein, diz que "se as abelhas desaparecerem da face da terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais não haverá raça humana.”

Diante dessa triste constatação, é reconfortante saber que em Guaramiranga existe alguém que conhece abelhas como ninguém, contribuindo para a preservação desses pequenos seres. Antônio Martins Rodrigues (1943) é agricultor e meliponicultor, isto é, criador de abelhas indígenas sem ferrão. Abelhas do gênero Melipona são nativas do Brasil e bem diferentes das abelhas que costumamos conhecer e temer: as abelhas do gênero Apis, como as europeias (italianas) ou africanizadas, espécies exóticas e agressivas com seu ferrão.

Residente na comunidade de Bananal, Seu Antônio Martins mantêm o "Meliponário Cantinho do Céu" no quintal de sua casa, onde concentra diversas colmeias em troncos e cortiços de espécies locais como camuengo, jati, canudo, uruçu-amarela, mombuca, cupira, dentre outras. Inofensivas, sempre atraem visitas de curiosos, interessados e pesquisadores. Apesar de pouco conhecidas da população, o Brasil possui milhares de espécies de abelhas nativas. Quem não recorda o trecho de Morena Tropicana, de Alceu Valença, ao cantar "Saliva doce, doce mel, mel de uruçu"? Um mel clarinho e aquoso, de menor produção e por isso mais raro. Consta que até mais eficiente em termos medicinais, por suas propriedades antibióticas.

Seu Antônio aprendeu a manejar colônias de abelhas desde os 15 anos de idade, prática herdada de seu pai e de seu avô. E não é um criador comum, preocupado na simples obtenção do mel.
Apesar de sequer ter concluído os estudos primários, tornou-se um profundo conhecedor dos hábitos das abelhas através da observação diária e da paciente leitura de livros sobre o tema. Com simplicidade e muita sabedoria, realiza experimentos no sentido de criar ferramentas e estratégias próprias de manejo. Casado com dona Elena Soares, mas não tendo filhos, ele deposita todo o seu amor e atenção às abelhas, chamando-as carinhosamente de “minhas filhas”.

Uma curiosidade: a vida e dedicação de Antônio Martins pelas abelhas foi tema de um documentário exibido nacionalmente, apoiado pelo projeto “Revelando os Brasis”, em 2011. “O Porquê das Coisas”, produzido pela artesã e arte-educadora Carmen Silvia Ferreira, conta sobre como Seu Antônio sempre encontra soluções simples e criativas para os desafios de seu cotidiano, seja no cultivo do roçado de batata, feijão, milho, jerimum e macaxeira, ou no trato habilidoso de mestre e guardião das abelhas.

Fonte:
JUCÁ, Levi. Filhos de Guaramiranga. Fortaleza: LCR, 2019.

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Publicado por

Francisca Maraline da Silva Rocha

Natural de Pacoti - Serra de Baturité - CE, é professora, arte-educadora, artesã, fotógrafa e produtora cultural. Presidente do Ecomuseu de Pacoti, com sede no município cearense de Pacoti - 2015 até o momento. É uma das idealizadoras e coordenadoras do premiado, nacional e internacionalmente, Projeto “Jovem Explorador e o Ecomuseu” - 2014 até o momento. Atuou como assistente de produção na segunda e terceira edições do “Festival Letras, Flores e Vinhos”, realizadas na cidade de Guaramiranga, na Região do Maciço de Baturité, respectivamente nos anos de 2014 e 2015. É uma das idealizadoras e coordenadoras do Projeto “Arquivos da Memória - Maciço de Baturité” - 2018 até o momento. Em 2020 foi uma das idealizadoras e produtora executiva do I Festival Internacional de Caricaturas e Cartuns do Maciço de Baturité.

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